Estamos por toda parte

ARQUIVO / 26.08.2026
CASO
Estamos por toda parte
Fotografar pessoas comuns, imprimir os retratos em tamanho gigante e espalhar pela cidade. A ideia foi da agência Seven, de Blumenau, pros cooperados da Ailos, e eu achei linda de cara. O mote era "Estamos por toda a parte".

Me contrataram pra fazer os retratos e pra registrar a colagem depois. Retratos clássicos, preto e branco, fundo branco. Os retratados não eram modelos, eram pessoas comuns, a maioria nunca tinha entrado num estúdio na vida.

Esse é o tipo de trabalho que eu mais gosto de fazer. Fotografar quem não está acostumado com câmera é mais difícil e mais interessante. O que faz o retrato funcionar é o clima criado na interação, ali na hora. Eu me abro primeiro, pra pessoa se abrir também. Edward Steichen, que fotografou de Matisse a Chaplin, dizia que se você capta um momento de realidade brilhando na pessoa, já tem o essencial de um retrato.

Fiz as fotos e voltei uns dias depois pra registrar a colagem. Foi ali que a ficha caiu. Meus retratos com dez metros de altura, colados na lateral dos prédios. Gente comum, gigante no meio da cidade. Foi um dos trabalhos mais especiais que já fiz.

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